23 de janeiro de 2009

Geração Morangos com Açúcar...

Há por aí muito adolescente a precisar de um semelhante par de estalos bem dado e passo a explicar a razão.
Todos nós já tivemos 13 ou 14 anos e sabemos que é uma idade muito difícil para qualquer adolescente. Estas idades são também conhecidas por "a idade do armário", isto porque o adolescente se fecha como uma concha e vive, dentro da concha que é, a transformação do seu corpo e o medo que isso desperta. É uma idade difícil, já sabemos, bla bla bla...
Mas, porra, não é desculpa para não terem o mínimo de boa educação!!! Viajo todos os dias de autocarro para o emprego. Geralmente, quando faço a viagem de regresso a casa, no autocarro viajam, também de regresso a casa, crianças e adolescentes das escolas básicas e secundárias de Barcelos. Fico estupidamente indignada quando vejo dentro do autocarro, por um lado, aquelas criaturas jovens, de 13 e 14 anos, com o cuzinho alapado e, por outro lado, meia dúzia de idosos a cambalear de um lado para o outro, sujeitos a mandar um trambolhão que os pode incapacitar para resto dos seus dias [que já não devem ser muitos, por isso é bom que sejam pautados pelo mínimo de qualidade de vida] . E mais enervada fico quando vejo que nenhuma daquelas criaturas jovens [aqueles palermas!] se levanta para dar lugar a quem já perdeu, fruto do processo natural da vida, o equilíbrio e a força para se manter de pé dentro de um autocarro que faz mil e uma curvas!
Quando eu tinha 13/14 anos também era uma adolescente parva, também vinha dentro do autocarro a falar alto, a cantar, a dar gargalhadas estúpidas e irritantes e como eu, muitos outros adolescentes da minha geração...Lembro-me, nitidamente, de me levantar do meu lugar para o dar a alguém mais velho do que eu e, como eu, outros adolescentes da minha geração o faziam...rapazes e raparigas...éramos parvinhos, sim, mas EDUCADOS!!!
O que é que raio estas gerações mais novas tanto aprendem em telenovelas como "Morangos com Açúcar"? Se é má educação, deixo-lhes aqui uma sugestão: se calhar era melhor deixar de lado por uns tempos esse ícone da educação que é a Telenovela "Morangos com açúcar" sob pena de se transformarem em morangos podres e azedos!

20 de janeiro de 2009

Era uma vez um ídolo da adolescência...


Fiz grandes maluqueiras na minha adolescência só para poder ver os Sitiados. A energia em palco do João e da Sandra era contagiante. Recordo também que sempre que ia acampar, na altura como escuteiro, não havia noite em que não me sentasse à fogueira a tocar uns acordes das músicas dos sitiados que lá ia apanhando após ouvir as músicas vezes sem fim…

A última vez que vi o João foi num concerto da Naifa em Braga, em Abril de 2006 e cimentou ainda mais a minha admiração por ele… Tal como a música do João evoluiu qualitativamente, a minha própria vida também tinha adquirido essa qualidade… já longe da energia da adolescência (dos Sitiados), mas com a tranquilidade dos “quase” trinta e das coisas boas que vamos aprendendo a gostar…

Hoje passei o dia a ouvir os Sitiados (deixei de lado por um dia Radiohead, Nick Cave e as bandas que fui aprendendo a gostar com a idade) e senti saudades tuas João…Repeti várias vezes uma música bem curtinha que canta assim…:

“Não me importava morrer

Se lá no céu houvesse festa

Se o São Pedro lá tivesse

Uma pinguinha como esta”.

A festa apenas mudou de sítio…

44.º Presidente dos Estados Unidos da América

terá sido apenas o meu coração que se encheu de esperança?

Fui condenada,...

...para todo o sempre, a fazer amizade com as paredes deste mundo...

16 de janeiro de 2009

é proibido esquecer [Parte II]

Já é de mim...Chamo-me Helena, mas também me era bem aplicado o nome Saudade!

Hoje, à frente deste computador, ainda acordada, lembrei-me de voltar a olhar as fotografias esquecidas que tirei durante o meu estágio académico e adormeci para voltar a esse tempo que é, para mim, saudade: o Passado.

Acordo-me agora à frente deste computador.

Não consegui evitar o regresso ao Passado e como consequência destes meus devaneios temporais lá se me escapou, sem autorização, uma lágrima do olho. Não é tristeza, nem nostalgia. Arrisco a dizer que é uma saudade alegre. Recordo, sempre e apenas, os momentos em que fui feliz. Eu tenho um dom maravilhoso, o meu cérebro elimina as más recordações, mesmo muito más, em tempo recorde.


[Como sou Licenciada em Educação - Educação de Adultos fiz a minha aposta num estágio académico com a população sénior.]

::: ::: :::

[texto dedicado aos seniores com quem trabalhei no meu estágio académico]

[porque preciso urgentemente de vos recordar para me sentir viva]

Lembro-me da primeira vez que vos vi.
Lembro-me de todas as primeiras abordagens.
Lembro-me das despedidas.

Lembro-me de, na primeira vez que abordei a D. Laurentina, não ter percebido patavina do que me disse e de ter contido à força uma gargalhada.
Lembro-me da primeira vez que a D. Ana me perguntou, muito séria, porque me estava a rir.
[era a primeira vez que ela falava comigo e não me pareceu nada simpática. Mudei rapidamente de opinião, claro!]
Lembro-me da "Vó" contar a todos o que tinha a acontecido à minha mãe.
Lembro-me de ver a "Anginho" chorar [e de quase chorar também].
Lembro-me dos amuos da D. Palmira, dos seus beijos gulosos, da mantinha roxa e do neto Joca.
Lembro-me da primeira vez que D. Arminda se virou aos berros contra mim [e lá tive de conter à força a as lágrimas].
Lembro-me de ver a Anginho, cujos 93 anos apenas lhe limitavam a audição, a pular para cima de um muro, como se fosse uma adolescente de 15 [ e de ter ficado pelo menos 10 minuto de boca aberta a olhar para ela].
Lembro-me da primeira vez que a D. Ana chamou muito alto por mim para que eu a ajudasse [eu julgava que ela nem o meu nome sabia e foi aí que tive a certeza que a tinha conquistado].
Lembro-me da primeira vez que entrei no contentor em que a D. Ana M. morava e mora.
Lembro-me do choro compulsivo da D. Belmira, com 85 anos, quando me fui embora e guardo com muito orgulho o email que me enviou meses depois.
Lembro-me do olhar agradecido e confuso do Sr. António.
Lembro-me da D. Trindade com o braço levantado, dedo apontado para o céu, a ralhar com o Fisioterapeuta: "Quem manda sou eu, eu é que sei e o meu marido não tem nada a ver com isso!".
Lembro-me da primeira vez que vos vi comer gelatina [ri-me como uma desgraçada! não consegui evitar!].
[...]

Lembro-me do muito que me ensinaram e lembro-me que vos dediquei o meu Relatório de Estágio.

Ao grupo de idosos/as com quem trabalhei e com quem aprendi a não ter medo de envelhecer.


15 de janeiro de 2009

Medoooooooooooooooooooo


A conversa até estava a correr bem, quando ele me diz que tem de lubrificar a "amante"*
Já estás a abusar!!!!

[Grrrrrrrrrrrrrrrrrrr...o raio da "amante"!!!!!]


*descansem, meus lindos, a "amante" é a bicicleta de estrada [espero eu!!!!! :D :D ]

14 de janeiro de 2009

Ao meu avô...

Coragem...

um misto de incompreensões...

Admito que a minha primeira reacção às palavras proferidas pelo Cardeal Patriarca de Lisboa e Representante da Igreja Católica Portuguesa no Vaticano, D. José Policarpo, foi um baixar a cabeça de vergonha e de incompreensão. Considero, como católica que sou, que nenhum cristão se pode manifestar intolerante quanto às opções religiosas de cada um e, muito menos, ajuizar de modo generalista e sem critérios esse modo de estar na vida. Tanto quanto me foi ensinado Deus deu-nos o livre-arbítrio. Ou não? Nas afirmações que proferiu, D. José Policarpo misturou todos os muçulmanos num mesmo saco como se fosse impossível a existência de heterogeneidades neste grupo. E não o é. Todas as pessoas são diferentes e vivem a religião que profeçam de modo diferente. Não há um único modo de viver a fé e a essência dessa fé não se altera entre os diferentes modos de a viver. [devemos sempre fazer o exercío de distinção entre o que é a essência de uma religião e os pormenores da mesma] Há muçulmanos fundamentalistas e radicais e há católicos cristãos fundamentalistas e radicais. E se ouvíssemos nós, católicos, um representante de uma religião qualquer dizer às suas caras crentes para não se casarem com católicos porque não sabem os sarilhos em que se metiam. Não era bonito de se ouvir, pois não?

No entanto, e não de lhe dando a absoluta razão, compreendo as suas palavras de frustação que resultam, muito provavelmente, das suas tentativas falhadas de aproximação e diálogo com os líderes muçulmanos. Uma coisa é certa, eu nunca tentei, enquanto católica, entrar em diálogo com um muçulmano e nunca li na íntegra o Alcorão e, por tal, compreendo minimamente o modo de vida dos muçulmanos. Desconheço, por isso, as dificuldades de que falou.

Agora, isto nunca devia ter sido dito...
“Pensem duas vezes antes de casar com um muçulmano. Nem Alá sabe onde é que acabam”
Esta afirmação D. José Policarpo foi bastante infeliz, despropositada e generalista. Colocou completamente de lado a hipótese de haver muçulmanos íntegros e respeitadores da liberdade humana. Uma verdadeira relação de amor compreende a liberdade do outro e o respeito pelas suas opções. Não me parece de todo impossível uma relação de amor entre duas pessoas com convicções religiosas diferentes. Quando há Amor, tudo é possível.

12 de janeiro de 2009

Memórias de um Domingo

[Local: Indefinido/Estado: Perdidos]

Eu: Hás-de dizer-me porque é que não ultrapassas...
Ele: ?!
[Lindoso]

[Lisboa]

[Guimarães]

(...) as tuas pegadas
São o caminho e nada mais;
(...) não há caminho,
O caminho faz-se ao andar.